quarta-feira, 22 de agosto de 2012

EUA fazem novo ultimato à Síria



Os EUA ameaçam empreender ações contra a Síria à revelia da ONU. A representante oficial do Departamento de Estado na ONU, Victoria Nuland, admitiu esta possibilidade.

Durante o briefing de segunda-feira ela deu a entender que Washington pretende informar o representante especial da ONU e da Liga Árabe na Síria, Lahdar Brahimi, de tal intenção.
Tudo indica que os EUA pretendem infligir um novo golpe contra o prestígio da ONU, pondo em dúvida a sua capacidade de superar as crises, - reputa Aleksei Podtserob, perito do Instituto de Estudos Orientais junto da Academia de Ciências Russa.
"Nesta declaração de Victoria Nuland não há nada de surpreendente. Os americanos já recorreram reiteradas vezes à força bruta, à revelia das decisões da ONU. Basta recordar a sua intervenção no Panamá e a invasão em Granada. Há relativamente pouco foi perpetrada a agressão contra a Jugoslávia e, em 2003, deu-se a intervenção no Iraque. Esta última também foi cometida à margem do Conselho de Segurança e sob um pretexto evidentemente forjado – afirmava-se que Saddam Hussein possuía armas biológicas e químicas. Qual será o resultado do ataque contra a Síria? Haverá, certamente, uma guerra de plena envergadura, serão derramados rios de sangue. Tal será o resultado. É evidente que a Síria é incapaz de resistir aos EUA, isto é claro. Mas, por outro lado, eu conheço bem os sírios – eles irão resistir até à última. Portanto, será uma nova guerra muito sangrenta no Próximo Oriente."
O presidente dos EUA Barack Obama também advertiu sobre a possibilidade da intervenção na Síria. Durante o briefing extraordinário de segunda-feira ele declarou que, por enquanto, não tinha dado ordem de intervir, mas ameaçou, ao mesmo tempo, que podia adotar uma outra posição caso Damasco use armas químicas ou bacteriológicas. Este é um novo ultimato a Damasco e um desafio à comunidade internacional, que dispõe de mecanismos convencionais para impedir o uso de armas de extermínio em massa.
São precisamente estes mecanismos que devem ser postos em ação nos contatos com Damasco, o que é confirmado pelo crescimento da ameaça de que as armas de extermínio em massa que se encontram na Síria possam cair nas mãos da Al-Qaeda. Por mais paradoxal que pareça, quem pode ajudar a que isso aconteça são os EUA. Este país apoia a oposição armada da Síria, cujos comandantes confessam que têm utilizado cada vez mais os militantes da Al-Qaeda. Aliás, os americanos asseveram que não fornecem ajuda militar à oposição. Todavia eles estimulam por todos os meios a Arábia Saudita e o Qatar a fornecê-la. Washington procede da mesma maneira em relação à Turquia e à Líbia, cujos territórios também são utilizados para fornecer à oposição armas e os efetivos militares. Se a oposição conta cada vez mais com a Al-Qaeda, não pode deixar de prestar-lhe crescente ajuda em forma de armamentos e informações de inteligência, que vêm de fora. Eis a opinião de Boris Dolgov, analista do Instituto de Pesquisas Orientais da Academia de Ciências Russa.
"Os EUA lutam contra a Al-Qaeda no Afeganistão e no Iêmen. Esta organização foi taxada de “inimigo número um”. Ao mesmo tempo, Washington apoia na realidade a Al-Qaeda na Síria. O mesmo ocorreu na Líbia. Recordemos a história da guerra civil no Afeganistão quando os serviços secretos americanos apoiavam Bin Laden e este homem era considerado “agente de influência” dos EUA. Agora os EUA e os principais países da NATO procuram derrubar o regime sírio que não lhes convém, utilizando para isso os islamitas radicais, incluindo, a julgar por tudo, também a Al-Qaeda. Pretendem utilizar mais tarde estas forças islamitas radicais em prol dos seus objetivos. É o mesmo que já tentaram fazer no Afeganistão. Portanto, Washington comete o mesmo erro, - para não dizer que se empenha num jogo perigoso, - que já tinha sido cometido no Afeganistão."
Face ao crescimento de informações sobre a intensificação da atividade da Al-Qaeda na Síria, Moscou advertiu segunda-feira que o contrabando de armas para este país é inadmissível. No comentário do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa constata-se, em particular, que a Líbia, a Turquia e o Líbano se tornaram canais de fornecimento de armas à oposição síria.

Fonte: Voz da Rússia.